É para viver com esperança

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Depois das noticias desta semana, conclui que há duas maneiras de viver: em medo e em esperança.

Viver em medo é acreditar no real, no possível, no negativo, na dor, na descórdia, na disconfiança.
Viver em esperança é acreditar no impossível, na imaginação, no positivo, na satisfação, na comunidade, na bondade, na partilha.
É fácil viver em medo, porque todos os seres humanos sabem o que é a dor. Desde a dor física de cortar um dedo, à dor de dar a luz, partir um osso, levar um tiro, ou ter um acidente. Todos sabemos o que é chorar, sentirmo-nos negativos, sentirmos raiva, frustração, desapontamento, medo e terror.
Assim, não é fácil viver em esperança, porque os sonhos parecem que são apenas para alguns, a paz é para os sonhadores, a felicidade é para os ingénios, a bondade é para quem pode, a satisfação é efémera e o paraíso não existe.
É mais fácil vendermos o que é real e o que é provável. É sempre provável que vamos sofrer, enfrentar dificuldades, lidar com insatisfações e desastres na nossa vida. É mais fácil vendê-lo porque é o que se conhece. Podemos ter acabado de comer bem mas sabemos que há fome; podemos ter uma casa, mas sabemos que há refugiados e sem abrigos; podemos ter um aquecimento, mas sabemos de quem não roupa; podemos matar a sede mas sabemos de que não tem água; podemos tomar um benuron, mas sabemos de quem não tem saúde para sobreviver para lá dos 2 anos de idade.
De facto, não é fácil viver em esperança. Não é fácil dar a outra face quando nos querem prejudicar; não é fácil continuar a acreditar no bom quando há tanto mal; não é fácil sermos bons para todos quando eles nos podem fazer mal; não é fácil acreditar na nossa segurança e saúde absolutas; não é fácil em qualquer situação ver o copo meio cheio.



Mas aprendi com a Sra Obama uma verdade máxima: quando eles vão para baixo, nós vamos para cima.
Quando o mundo parece estar perdido, devemos dar-lhe esperança. Quando o ódio espalha-se, temos de dar amor. Quando há discórdia, temos de procurar o respeito pelo outro. Quando há demagogia, temos de procurar a informação. Quando há racismo, temos de procurar o abraço entre culturas e religiões. Quando há extremos, temos de procurar o equilíbrio. Quando nos querem calar, temos de falar mais e mais alto ainda. Quando parece que caem as trevas, temos de procurar ser o Sol. Quando parece que tudo vai correr mal, temos de lutar para que corra bem. Quando uns caem, outros ajudam a levantar-se.

Se há algo que aprendi na vida é que somos mais positivos e optimistas quando estamos em situações de extrema negatividade. Devemos usar a negatividade como um trampolim para a garra, para a força, para a comunidade. O medo pode-se espalhar facilmente e pode ter muita força. Mas basta uma pequeníssima crença, uma pessoa de esperança, para que o mundo possa começar a andar até ao Sol.

Como eterna optimista digo que são nos piores momentos que vemos realmente o que é importante na vida: as pessoas, a bondade, o diálogo, o respeito, a comunhão. E por isso se estamos num momento negro, é a oportunidade perfeita para nos relembrarmos que é a união e o acordo que faz a força. A discórdia separa, o diálogo une.

Esta é uma grande oportunidade para sonhar mais. Mas mais que sonhar, é a oportunidade para acreditar mais, trabalhar mais, lutar mais. Viramos isto do avesso e bola para a frente. Se cairmos, recomeçamos, porque a esperança não morre nem desiste. Aqui vamos nós, lutar mais um pouco.

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