Sobre 2016

by - 11:02


Muito muda num ano e certamente eu mudei.


Há um ano atrás disse que 2016 ia ser o melhor ano da minha vida. Foi e também não foi.
Houve imensos bons momentos. Enquanto todos lembram 2016 como um péssimo ano com mortes de celebridades, atentados sem sentido, eleições e referendos a puxar para o extremismo político, eu posso dizer que 2016 foi muito muito muito bom - mas também houve mudanças difíceis de digerir.
Não mudei de emprego, não comprei um carro, não mudei de casa, não fiz grande mudança na minha vida, mas o meu interior mudou bastante.
Quando as mudanças apareceram tive de reenquadrar a minha vida: é isto que eu quero? É isto no que acredito? Qual é o rumo que quero para a minha vida? Se eu morresse amanhã o que seria mesmo importante que eu fizesse? E durante algum tempo decidi aproveitar a vida. Aproveitei o passear, o ir de fim-de-semana fora, o comer gelados, o ir ao cinema, o ficar em casa sem fazer nada porque depois de vários meses a disciplinar-me para ser o mais produtiva possível, pensei que merecia um descanso e ir viver mais a vida.
Mas o sentimento de férias não é eterno e quando voltamos a trabalhar, surgem de novo as dúvidas: o que quero fazer? O que não quero fazer? O que me apaixona? O que me faz crescer? O que me apetece mesmo fazer nos próximos 2, 3, 5 anos? Questionar a rotina e o status quo é difícil pois ou ouvimos a voz que nos diz que temos é de continuar e fazer melhor; ou ouvimos a voz que nos diz para largarmos tudo e começar outra coisa, outra vida, outro caminho. Quando questionas, ficas na dúvida e nem sabes o que é o caminho certo, o passo certo, a escolha jackpot que vai dar-te tudo aquilo que tu desejas. Quando estás em dúvida e até duvidas de ti, é mais difícil ultrapassar os obstáculos, é mais difícil enfrentar desafios, é mais difícil ter de novo a disciplina, porque é tão mais fácil ligar a box e ver o filme que deu a semana passada no Hollywood (aquele filme que já vimos trezentas vezes mas que é bom!).
Eu não mudei a minha vida por fora mas mudei muito no interior. Mudei os meus objetivos, a minha maneira de ver o mundo, a minha forma de contribuir para uma vida melhor e um mundo melhor. Tudo foi repensado, reflectido, esmiuçado, torturado até eu chegar à conclusão: ninguém vai fazer a minha vida por mim.
Ninguém me vai dar o emprego de sonho, ninguém me vai dar o dinheiro para comprar o carro, ninguém me vai dar as férias que eu gostava de ter, ninguém vai construir a minha vida por mim. Por isso, se decidir ser preguiçosa, a responsabilidade é minha. Se decidir trabalhar todos os dias super focada, a responsabilidade é minha. Se decidir só passear a vida toda, a responsabilidade é minha. A única pessoa com quem vou falhar é comigo mesma. E essa responsabilidade é assustadora mas é a única verdade que me ajuda a acreditar que é possível ter tudo o que se quer.
Começar é assustador, recomeçar dá dores do caraças, mas ficar quieta é estupidamente pior. Por isso, já ouvi trezentas vezes que 2017 vai ser o ano dos anos. Para mim, não é para ser o ano dos anos, mas simplesmente o ano do melhor de mim.
Tenham um bom 2017. Be you, do you, for you.

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