Quotas de género nas empresas e o mixed feeling do mérito

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A fantástica Paula Cosme Pinto deu as boas notícias: "Quotas de género nas empresas: não vai a bem, vai à força"





Sigo as novidades do "A Vida de Saltos Altos" por trazer para a actualidade temas feministas, em termos profissionais, pessoais e culturais, em Portugal e em qualquer parte do mundo.

Logo no início, a Paula fala de um mixed feeling, explicando que a notícia é boa, pois assim podemos combater a desigualdade e ter mais mulheres em cargos de chefia e a diminuir a diferença salarial entre os género. Contudo, isto não deveria ser "imposto" pelo estado. As próprias empresas deveriam perceber que a desigualdade prejudica o ambiente de trabalho e pecam por não dar a oportunidade de boas líderes femininas poderem mostrar o que valem e até levarem as empresas ao sucesso.

O mixed feeling vem da ideia de que tudo deveria ser pelo mérito. Mas parece que mesmo com mérito as mulheres ganham menos e chefiam menos. Enquanto um homem passa por 3 testes e é promovido, a mulher tem de passar por 7 ou 8 para provar que é a pessoa ideal para aquele cargo de chefia, Devíamos viver numa sociedade equalitária, sem cunhas, em que somos promovidos pelo trabalho e resultados obtidos.
Por isso, as quotas nem deveria ser um assunto. Mas infelizmente é, porque há estas estatísticas que me chocam, em que “59% das pessoas diplomadas com ensino superior e 54,8% das pessoas doutoradas são mulheres. No entanto, 91% dos lugares de membros dos conselhos de administração das 17 maiores empresas cotadas em bolsa são ocupados por homens”

Como é possível haver mais mulheres instruídas e preparadas para cargos de chefia e estas são constantemente alienadas deste patamar profissional?

É por isso que temo-nos de esforçar para que haja quotas...mas depois onde fica o mérito?

Desde pequena que me recordo do que os meus pais disseram: sê uma boa aluna, sê inteligente e terás um bom trabalho. O meu mérito vinha de estudar, conhecer e trabalhar. Por isso, eu ia ter sucesso, quer fosse homem ou mulher.  A influência de ter uma mãe num cargo de topo pode-me ter habituado a essa realidade, que com estudos e com mérito e trabalho, era possível chegar lá. Mas os estudos contradizem-me, e dizem-me que as mulheres não chegam lá: porque não querem, porque é mais difícil, porque não há igualdade nas empresas.

E quando não há igualdade temos de criá-la e por isso é que surgem as quotas. E por isso é que aplaudo esta medida. Não é a solução ideal, mas é um começo de uma solução. É uma obrigatoriedade que permite a igualdade e por isso deve ser implementada. O mixed feeling fica lá mas com a crença definitiva de que este é apenas o primeiro passo para uma sociedade mais feminista, mais justa, mais igual, mais livre - o que interessa é  destino.

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