Encontra um emprego, disse ela

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Estava a ler mais um artigo na Business Insider quando me deparo com uma barra branca de publicidade no lado direito:




"Find a job"



"Encontre trabalho", lia-se, em inglês, em letras grande, garrafais, aquelas letras que vemos todos os dias.

Esta parece ser a actividade em que as pessoas passam mais tempo. Não é a ver séries, lavar a loiça, ver televisão, a estar no Facebook - as pessoas passam mais tempo a procurar emprego do que a fazer essas coisas todas juntas. Porque procurar por um emprego é importante. Porque procurar por um emprego é ter algo que fazer na vida. Porque procurar por um emprego torna-nos adultos responsáveis e preocupados com a vida e o futuro.

Contudo, a crise mudou a perspectiva das pessoas. Arranjar um emprego continua a ser um objectivo mas o emprego seguro tornou-se uma utopia. Procurar emprego era uma actividade exclusiva dos preguiçosos e mal formados da vida e a crise levou o desemprego a casa de milhares de pessoas - acordar de manhã e passar horas à frente de um computador a ler anúncios passou a ser o pequeno-almoço de muita gente. Ir a uma gráfica imprimir currículos e distribui-los nos centros comerciais passou a ser um trabalho a tempo inteiro, bem como actualizar a página de email, a ver se mais alguma empresa se esqueceu de nos responder.

De facto, a procura por emprego pode ser desesperante e frustrante mas também não há outra alternativa, porque sem trabalho não há dinheiro, sustento e vida.

Mas e se eu não quiser procurar um emprego? E se eu quiser procurar por vários empregos? E se eu quiser procurar por apenas um trabalho? E se eu quiser procurar por um trabalho aqui ou ali? E se eu não quiser procurar nada e criar o meu próprio trabalho?

Várias são as pessoas que ficam contentes com um trabalho, um escritório, um ordenado. E há outras que ficam contentes com um trabalho seu, um escritório diferente todos os dias, um ordenado que não é certo. Para as pessoas que procuram liberdade para implementar as suas ideias, disponibilidade para ajudar outros a fazer o mesmo, flexibilidade para criar o que desejam - será que para essas pessoas devemos querer que elas procurem um emprego? Devemos incentivá-las a procurar a satisfação profissional num plano rígido só porque é considerado seguro (a segurança do emprego reflecte-se na taxa de desemprego em Portugal, a rondar os 12%) ou devemos deixá-las escolher o seu caminho e criar o seu próprio emprego?

O empreendedorismo tem atraído várias pessoas que, abalados com as rápidas mudanças do mercado de trabalho, procuram alternativas para conseguir construir a sua vida. Outros encontraram-se numa encruzilhada quando perceberam que o pote de ouro no final do arco-íris da vida - a reforma - iria ser muito pouca ou até mesmo inexistente. Os jovens sem experiência para dar e receber acabam por criar a sua própria experiência. Com estas realidades a acontecerem um pouco por todo o mundo, e com algum ênfase em Portugal com o crescente desenvolvimento de startups, é relevante perceber o que significa ter emprego na actualidade.

Porque a verdade é que o que todos queremos não é um emprego, mas sim um ordenado, uma forma de sustento e, em última análise, uma actividade que nos preencha o dia e o espírito. Um emprego deveria ser algo que satisfaz as nossas competências e capacidades profissionais, bem como as nossas necessidades materiais de sustento.

Assim, deixo a pergunta: todos queremos um sustento e se uns querem algo fixo e estável e outros querem algo mais, será que todos devemos procurar um emprego?

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